Como desbloquear a criatividade de sua equipe

Atualizado: 11 de Ago de 2019


Por Rebecca Shambaugh.


Ilustração e arte: Daniel Vasconcelos e Lia Esumi

Como coach de liderança, nunca perco a oportunidade de perguntar aos executivos de nível sênior o que eles consideram essencial para que as pessoas e organizações tenham sucesso no atual e dinâmico ambiente de negócios. Esta semana, eu me encontrei com uma vice-presidente executiva de uma empresa da Fortune 500 (vamos chamá-la de “Ashley”), que construiu muitas equipes nacionais e globais, e que é uma líder altamente inspiradora para sua organização e indústria. Sem hesitar, Ashley disse que ser criativo e inovador são os principais fatores críticos de sucesso - não apenas para empresas, mas também para líderes e suas equipes. Pesquisas sobre isso já foram feitas e identificaram a criatividade como a principal competência para a liderança de empresas.


Ashley explicou que líderes e diretores não podem continuar a contar com as mesmas ideias que, no passado, os trouxeram para o sucesso. Além disso, não conseguem ser eficazes se cercando de pessoas que ficam “papagaiando” as próprias ideias do líder. "Não quero que as pessoas que trabalham para mim fiquem apenas recebendo ordens ou me alimentando de informações", disse ela. "Eu encorajo as minhas equipes a assumirem riscos ao trazerem novos pensamentos e ideias para a mesa, mesmo que não estejam 100% corretas”. Ashley acrescentou ainda que as complexidades do mercado atual exigem soluções inovadoras, que às vezes exigem formas disruptivas de solução de problemas e que possam desafiar o status quo: “O ambiente de negócios é muito dinâmico e o nível de mudança é muito complexo - não podemos confiar nas mesmas ideias ou nas mesmas formas para resolver problemas ou expandir os mercados com o mesmo pensamento sobre o qual sempre recorremos”.


Portanto, Ashley procura por talentos que colocam os pensamentos em novas formas de resolver um problema ou tomar decisões, ao invés de operar em um sistema de soluções esperadas. Ela acredita que os líderes devem garantir não apenas os talentos certos em suas equipes, mas que essas equipes possam prosperar em um ambiente que facilite a geração e expressão de pensamento inovador, inspirando as pessoas a explorar suas melhores ideias e seu potencial criativo ilimitado. Mas como os líderes podem alcançar essa visão de Ashley de desencadear toda esta variedade de pensamentos superiores dentro de suas equipes? Veja abaixo algumas estratégias para estimular a criatividade de qualquer grupo.


Evite ficar cercado pelo processo.


A inovação não é impulsionada por processos nem sistemas; ela é gerada pelo talento humano. Não importa quais procedimentos você tenha implementado, é apenas a confiança criativa e o impulso dos indivíduos - e a inteligência coletiva das equipes - que leva as empresas a novas fronteiras, revelando um mundo melhor e impulsionando o desempenho final de uma organização.


Se uma equipe está bloqueada criativamente, um primeiro passo da liderança é examinar se os processos que cercam as pessoas estão mantendo-os reféns de seu próprio pensamento. Uma confiança excessiva em seguir sistematicamente as regras pode interromper o brainstorming colaborativo, pois alguns podem achar que não têm flexibilidade para expressar opções externas que vão contra o processo padrão e a maneira como as coisas sempre foram feitas. Se esse for o caso, tente remover as limitações de estruturas processuais específicas durante as sessões de criação, para que todos possam se sentir mais livres pra contribuir sem restrições burocráticas.


Facilite os debates saudáveis.


No meu trabalho com empresas de clientes, inicialmente observei que as equipes realmente capacitadas para exercitar sua criatividade têm propósito, são engajadas e inspiradas a fazer coisas grandes, encontrando maneiras de melhorar a vida dos clientes. Como esse é o objetivo final de toda organização competitiva, torna-se fundamental para os líderes de hoje fornecer o ambiente certo para que as equipes aproveitem toda a variedade de pensamento e capacidade criativa. O fato é que, enquanto pesquisas mostram que 80% das pessoas vêem o potencial criativo como chave para o crescimento econômico, apenas 25% sentem que estão vivendo de acordo com seu próprio potencial criativo. Do lado do empregador, uma pesquisa da McKinsey revelou que a esmagadora maioria dos executivos - 94% - está insatisfeita com o desempenho inovador de sua empresa. Isso é um enorme desperdício de talentos em uma área na qual os líderes podem ter um grande impacto simplesmente permitindo que o ambiente de trabalho seja mais propício a contribuições criativas.


Para facilitar a experimentação e encorajar as pessoas a ver o que “cola” e o que “não cola”, trabalhe na criação de um ambiente de segurança psicológica - no qual Heidi Brooks, da Yale School of Management, diz que é onde o líder “faz o que diz e não simplesmente pede que pensem fora da caixa, mas sim dá o exemplo”. Para inspirar a criatividade, os líderes também devem incentivar conflitos e debates saudáveis. Ao invés de microgerenciar, capacitar os outros e dar-lhes as rédeas para explorar e assumir riscos, pode levar a direções inesperadas.


Revele o "chão grudento".


Todo mundo possui a base para ser criativo, o que começa com os membros da equipe acreditando em si mesmos como geradores de ideias que têm a capacidade de se tornar uma voz convincente para conceitos criativos. Quando alguém na equipe abriga o oposto dessa crença - que não é inerentemente inovador - ela pode se tornar rapidamente no que eu chamo de “chão grudento”: uma crença ou suposição autolimitada que pode sabotar o sucesso. Ela deixa a pessoa paralisada, “grudada no chão”.


Como líder, parte do seu papel no gerenciamento de equipes é usar a inteligência emocional para determinar se algum membro da equipe está inconscientemente impedindo-se de aproveitar seus talentos e todo o seu potencial. Se até mesmo apenas uma pessoa esconde sua luz criativa, toda a equipe sofre. Adote uma abordagem proativa para lidar com esse problema: ajude o membro da equipe a se conscientizar de sua situação e ofereça orientação e suporte para expressar ideias inovadoras dentro do ambiente de equipe.


Incentive uma mentalidade de crescimento - atada com mindfulness.


Como parte do processo de evitar o “chão grudento”, é essencial ajudar a equipe a entender como desenvolver uma mentalidade de crescimento. Este termo, criado por Carol Dweck, refere-se a como uma pessoa pensa sobre suas próprias habilidades relacionadas à inteligência e à aprendizagem. As pessoas com uma mentalidade de crescimento possuem uma crença subjacente de que podem melhorar através do seu próprio esforço. Elas aceitam contratempos e não os vêem como falhas, mas sim como oportunidades de crescimento e aprendizado através de um processo de melhoria gradual. Essa perspectiva é o contraponto de uma mentalidade fixa, no qual as pessoas acreditam ter um nível definido de talento (ou falta de talento) em uma área específica e que não podem alterar, por mais que tentem. Ao encontrar um “chão grudento” relacionado à criatividade, os líderes devem orientar os membros da equipe, explicando como a crença interna de que podem se tornar mais criativos os ajuda a continuar desenvolvendo suas habilidades ao longo do tempo, aprendendo com seus erros e fazendo melhorias.


Resumindo, desenvolver uma mentalidade de crescimento é ajudar as pessoas a mudar do medo para a coragem, ir além do perfeccionismo, para buscar um nível de excelência que seja “bom o suficiente”. Esse desafio de liderança exige orientar as pessoas a sair da norma, quebrar suas antigas suposições, e ficarem abertas a novas possibilidades de insights criativos.


Estudos sugerem que a prática de mindfulness pode ajudar as equipes a ampliar os resultados de uma mentalidade de crescimento para atrair a criatividade. Muitos dos líderes de hoje perderam a capacidade de fazer uma pausa e priorizar o que é importante, ou reservar tempo para planejar e serem criativos enquanto inspiram outras pessoas a fazer o mesmo. Essa omissão é um erro, à luz das pesquisas que revelam que a meditação desperta impulsos criativos de várias maneiras, desde melhorar a memória de trabalho até aumentar a flexibilidade cognitiva, bem como a capacidade de fazer brainstorming.


Aumentar a atenção plena pode ser tão simples quanto dar um passeio no meio do dia, enquanto se concentra em seu entorno. Evite a tendência de multitarefa livrando-se de distrações tecnológicas em horários determinados para pensar de forma livre, pratique um simples exercício de respiração, sinta a inspiração e expiração de sua respiração oxigenar seu cérebro e inflamar a criatividade. Se o simples ato de fazer uma pausa para respirar e refletir pode impulsionar a criatividade de toda a equipe, então é um passo que vale a pena implementar.


O objetivo de fazer com que sua equipe pense fora da caixa é simples, mas descobrir como alcançar uma maior inovação em grupo não é. Como líder, é importante abordar isso como você faria com qualquer outro desafio de gerenciamento: com criatividade.

Este artigo foi originalmente publicado na Harvard Business Review por Rebecca Shambaugh. Clique aqui para ver o artigo original.

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